16 de ago. de 2013

O LUGAR DE ONDE EU VIM.

O lugar de onde vim tem encantos simples, gente singela.
Lá os dias passam como em qualquer outro lugar. O sol nasce e se põe, como o movimento de uma gangorra, dando lugar a lua e as estrelas.
As estradas cortam os campos cada vez mais; pontes cobrem os rios; calçadas impõem o traçado ao caminhar do andante; muros crescem.
Todavia, do lugar de onde eu vim...
Ainda é possível apreciar a teimosia das araucárias que se apresentam uma aqui, outra ali.
O orvalho respingado da manhã fortalece a diversidade de estampas verdes que teimam em brotar e espalha a sensação de frescor.
As taipas que insistem em permanecer de pé, mas meio que pendendo para o lado....para frente...para trás...como a ganhar vida para se equilibrar sobre a terra abatida.
O galo canta seu despertar e o despertar de toda a vizinhança há quilômetros de distância.
Grupos de andorinhas sobrevoam centros urbanos em círculos velozes, buscando repouso a sombra dos arranha-céus. Que, por sua vez, ganham o espaço do céu através de andares concretos.
O lugar de onde eu vim tenta sobreviver com a tradição ao lado da tecnologia.
O sanfoneiro chora o arranjo prolongado e dança com dedilhar a sanfona que canta, encanta e estica o som campeiro a audição de quem se dá tempo.
O bate-espora ritmado acompanha o compasso da tradição.
A cuia largada de erva sovada com capricho para o matear de aconchego do dia exala o odor fresco do chimarrão.
A fumaça saideira da chaminé desenha traços até o céu, obedecendo a imaginação do olhar madrugador.
Tudo bem seguido de aromas caseiros que alimentam muito além do corpo... o espirito!

O lugar de eu vim apresenta as mudanças solicitadas pelo passar dos dias.
Porém, em meio a metamorfose algo se sustenta...lá, sempre será o lugar de onde eu vim!


MINHAS VÁRIAS SAUDADES DE AGORA.

Outro dia respondendo a uma mensagem me veio à mente este texto.
Tenho uma montanha de saudades! Uma coleção delas!
Tenho saudades tantas que, às vezes, tenho saudade até mesmo de não ter saudade! rsrsrs.
Tenho saudade de situações simples como atender ao telefone e falar sobre um assunto qualquer.
Tenho saudade de ficar deitada na rede da minha casa só ouvindo o barulho do vento; ou vendo a chuva pela janela.
Tenho saudade daquele encontro inesperado no supermercado ou no banco, ou na rua mesmo.
Tenho saudade daquela conversa de corredor rapidinho só para saber como está a vida.
De filmes que já assisti; de lugares que já conheci; de momentos que já passei; de objetos que já tive. Isso mesmo, uma foto, um livro, um brinco, um disco/CD, uma roupa!
Pode parecer tolo, mas saudade é um sentimento.
E sentimentos não são tolos. São para serem sentidos!
Depois eles passam... esse é o ciclo espontâneo...se o acompanhamos, ele se realiza serenamente!
Mas o que mais tenho hoje, especialmente, são saudades que têm nomes!
Cada saudade tem um nome e algo que me lembra desse nome.
Então me vem a saudade...
De brincadeiras divertidas, debochadas, mas muito bem humoradas!
De comportamentos agitados e reclamações infundadas e continuas!
Do chamado imediato e necessário!
De conselhos experientes!
De atitudes de surpresa!
De gestos carinhosos!
De atenções cuidadosas!
De palavras de incentivo e afetividade!
De gestos corriqueiros e cotidianos, tipo café com leite.
De cheiros, de cores, de ruídos, de toques físicos.
Ah...mas o que mais tenho saudade mesmo são:
De sorrisos amplos e sinceros!
De abraços intensos!
De presenças incontestáveis e insubstituíveis!

Ah, saudade...ainda bem que temos essa capacidade de sentir!

TRADUÇÕES COTIDIANAS II.

Os dias se alteram entre sensações de horas recentes até meses já passados.
cada momento e todos se constroem na intensidade de ações, movimentos, sentimentos...
e do silêncio.
O pouco vivido muito e o muito do que já foi vivido, em pouco.
A distância originando proximidades;
confirmando intimidades;
descobrindo afinidades.
a proximidade com descobertas
definindo escolhas para um caminho do porvir.

Um mês.
Realizando o sonho de ontem,
Manifestando a vontade de agora,
Transformando os desejos do amanhã (pelo menos, por hoje).

9 de jun. de 2013

TRADUÇÕES COTIDIANAS

No olhar da paisagem,
traduções se realizam como num passe de mágica.
Cada cena parece oferecer uma tradução, particular, de quem a presencia através de sons e imagens integrados.
Um universo inteiro e pleno a se expressar no corriqueiro passar do cotidiano dos pensamentos, ações, sentimentos e emoções.
A montanha oferece a mesma paz de uma presença segura;
o som dos trens traz recordações da infância, acompanhadas de gargalhadas sem limites;
o ritmo das pessoas andando remete ao cotidiano distante...
é quando emerge a vontade de saber como se encontram aqueles que caminham
por outros ambientes, outras ruas, outros ritmos, outras estações, outros dias!
O ritmo cotidiano, rotineiro ou não, desperta sensações diversas que brincam ao sabor dos acontecimentos.
Ora agitados, ora vagarosos...por demais!
Desperta cheiros, sabores...amargos, doces, salgados...insonsos! ...divertidos!!!!
Toca a imaginação conduzindo a divagações...ora aqui, ora ali...ora lá...
ora bem mais longe de onde se está, todavia, bem mais perto de onde se gostaria de estar.
...

Gosto de brincar com as inspirações do cotidiano como quando se brinca com os formatos das nuvens...imaginando o que pode ser...
pois, em seguida, uma nova forma toma vida...e outras imagens ganham presença.

Brinco com o cotidiano, de uma maneira muito respeitosa, como alguém que escreve histórias.
Histórias que, a qualquer momento, podem tornar-se realidade de um cotidiano diverso de possibilidades e transformações.




2 de jun. de 2013

IMPRESSÕES



De acordo com o dicionário, impressões: "substantivo feminino. Ação ou efeito de imprimir, de gravar (a oco ou em relevo), de reproduzir (imagens, dizeres) mediante pressão. Marca. Fig. Efeito produzido nos órgãos dos sentidos, no espírito: causar boa impressão (a alguém). Tipografia Impressão a seco, a que, por ser feita sem tinta, caracteriza-se pelas marcas profundas deixadas pelos instrumentos usados. Impressão em relevo, a que deixa no papel letras ou figuras salientes, em relevo" (Dicionario Aurélio)
Na situação e na condição atual acredito que impressões possam ser acrescentadas de uma diversidade enorme de sentidos e significados. A exemplo dos Kanjis japoneses: um mesmo kanji abarca diversos significados. Assim acredito que o seja  por não conseguir encontrar, em alguns momentos, palavra ou expressão que traduza as sensações, emoções e sentimentos que surgem ao decorrer dos dias, dos acontecimentos e das situações que se passam. Contudo, sem dúvida, a parte que se refere a "Efeito produzido nos órgãos dos sentidos, no espírito [...] por ser feita sem tinta, caracteriza-se pelas marcas profundas"...em recorte particular meu, expressa bem o que venho sentindo. Num dia de data e hora marcada irei retornar ao meu país; talvez as fotos se apaguem, se percam; talvez não se comente mais a respeito.Todavia, de alguma maneira, diante alguma lembrança, mesmo breve; diante alguma imagem, mesmo remota; diante alguma palavra, mesmo equivocada...as sensações surgirão tornar, outra vez, perceptível a recordação desse momento único. 
Osaka, Japão, Junho 2013


12 de mai. de 2013

Momentos que não se adiam.



Tem momentos que o tempo cronológico se faz alheio ao que precisamos viver!
Sem necessidade de hora para chegar
Sem necessidade de hora para sair
Sem hora para fazer o que for
Sem hora para, simplesmente, fazer nada.

Tem certos momentos que até se pode deixar para depois...
depois conserto essa janela;
depois lavo esse tênis;
depois compro essa fruta;
depois leio esse livro;
depois vejo esse filme;
depois faço essa viagem;
depois escrevo esse texto.

E assim por diante.

Tem outros certos momentos que, definitivamente, não se pode deixar para depois!
Tem outros certos momentos que não se adia!
                                               ...

Um abraço afetivo não se deixa para depois.
Um beijo não se deixa para depois.
Aprender a viver não se deixa para depois.
O saber escutar não se deixa para depois.
Oferecer um colo não se deixa para depois.
Um sorriso não se deixa para depois.
Uma lagrima não se deixa para depois.
Gestos ternos não se deixa para depois.
Uma boa conversa, uma conversa difícil não se deixa para depois.
                                               ...

As emoções não se adiam.
Os sentimentos não se adiam.
O bem-querer por alguém não se adia.
A expressão desse mesmo bem-querer não se adia!
Agradecer, agradecimentos não se adia.
Acreditar na vida, incluindo as pessoas...não se adia!

Para todos esses momentos...todos...
a burocracia é extremamente dispensável!
Quando não, indesejável!

Certos momentos não se pode deixar para depois,
não se pode adiar,
porque a vida vai sempre acontecendo em momentos
...Seguidamente!


13 de fev. de 2013

CONTEMPLAÇÕES DE UM INICIO DE 2013.



O verde das árvores contrasta com o azul celeste do céu revelando um movimento intensamente animado e brilhante. Por um instante compõem-se um cenário único e particularmente vivo. Permaneço estática, respiração baixa e vagarosa procurando não romper com este momento de puro deleite. Sons esporádicos surgem vez ou outra ao fundo dessa cena poderosa; que domina minha atenção.  Bem ao fundo; quase desaparecendo. Por esse breve momento reconheço o que significa Ser Um com o Universo. Sentido do estar integrado com a vida. Com o mundo. Bem a minha frente; bem próximo ao meu olhar o baile das folhas da palmeira me hipnotizam. Ao mesmo tempo fortes, firmes, leves e flexíveis se permitem mover às várias direções numa sintonia perfeita, agora sim, entre os elementos naturais: céu, terra, árvore, vento. A simplicidade dos movimentos e da composição dos elementos me é extremamente agradável; sinto-me parte integrante do mundo, sem, contudo, me deixar absorver pelo ritmo acelerado que emerge do mundo externo que acontece concomitantemente a essa harmonia. Assim se deixou acontecer o primeiro dia de janeiro de 2013. 

10 de dez. de 2012

MUITAS FORMAS DE AMAR



O cheiro de café expandido pela casa. O pão com manteiga, quentinho sobre a mesa. O travesseiro afofado para despertar sonhos belos e serenos. Um beijo suave a testa para relaxar no adormecer. Deitar juntinho, apenas. Acordar com um abraço sorrindo. Ficar ao lado, em silencio. Estar presente, ausente. Uma receita que não deu certo. A luz que acabou, mas trouxe a penumbra suave das velas. O banho de chuva não planejado. Engatar o dedinho mingo um no outro. O olhar provocador... “assim, meio de lado, já saindo, indo embora...”(RPM...que anos 80! Uau!). Um suspiro aparentemente sem motivo, naquele momento indiscreto. Sorrir o dia inteiro. Gargalhar até a barriga doer e os olhos lacrimejarem. Dividir o ultimo pedaço da pizza. Um cafuné. Uma massagem nos pés. Abraços de intenções e com vontades mil. Abraços sem intenções. Sustentar sonhos, realizar realidades. Ter paciência. Ficar calado. Chorar em sigilo. Orar em nome de alguém, por alguém, por algo. Reclamações do que não está bom, poderia ser melhor...também fazem parte das muitas formas de amar. Descobri...

... o fazer expressa plenamente as formas de amar. Pois o amor não é uma teoria, mas sim uma prática cotidiana. Expressa no gesto mais simples de ...fazer gentilmente!

E A VIDA.



 E a vida vai compensando meus pesares.
Vai equilibrando!
...
Em meio a pedaços que vou tentando encaixar
Encontro coloridos que formam lindos mosaicos.
E aprendo de uma vez por todas que as diferenças, tristezas, quebras...
dores têm seus lugares e razões de ser.

Somos adoráveis teóricos mirabolantes dentro do temporário.
Atores e atrizes ora versáteis, ora medíocres na atuação da vida.
A temporalidade apresenta sua característica de impermanência a medida que nos comparece os anos de vida.
É preciso paciência, tolerância, compaixão, maturidade e muita, muita sabedoria para encararmos nossos mimos,
Nossos limites humanos a ponto de não estranharmos quando eles nos chegam ou são impostos. 
Ou se vão, mesmo sem explicação ou sem que tenhamos, ainda, nos tornado íntimos! 

ENCANTOS DE ARROZAIS











No plantio do arrozal encontro reflexos da vida. A considerar: seu feitio em etapas. Que ao encontro do arado dos terrenos: em cima, embaixo, ao lado, sangra retângulos e quadrados nos descampados. Construção integrada entre corpo do homem e o corpo da natureza! Ora secos, ora molhados. Água. Água em abundância. Inundados por águas tantas misturadas ao suor de dias cultivados. Porções pequenas de um cotidiano rotineiramente produtivo! Um cestim as costas. Um chapéu. Um lenço a proteger a cabeça do sol quente, da chuva fina. Uma calça. Uma outra. Pés de botas ‘sete léguas’ a afundar na terra adentro. A semeadura traça planos, alimenta sonhos. Sustenta vidas.
Da semente pequenina germina um alimento do corpo, do espírito, da natureza. Arroz da várzea...da montanha...do planalto. Habitados por espécimes pequeninas. E frequentado por diversas que se fazem gansos, patos, galinhas, pintos, pássaros. Homens, mulheres, crianças, velhos. As plantas emergem superfície acima e crescem a procura da luz. Para criar ao tempo de colheita um tapete naturalmente fresco. Embeleza ao olhar os campos tomados de tonalidades diversas de verdes. No arrozal o vento sopra leve, sopra forte, sopra frio, sopra quente. Sopra! Presença certa em festas e rituais significando bem-aventura, abastança à vida. Colheita com mãos, colheita com máquinas. Do processo da terra para o processo do homem: secagem, limpeza, separação de grãos, embalagem, transporte de viagens, prateleiras, sacolas, panela, tempero, cozimento. Mesa posta, prato posto. Arroz no prato. Arroz na boca. Arroz de combinações tantas: Arroz com feijão. Arroz com lentilha. Arroz com ovos. Arroz com linguiça. Arroz com batata frita. Arroz com molho. Arroz com ervilha. Arroz carreteiro. Simplesmente arroz. Combinação inúmeras de gostos requintados a caipiras. Pra todo gosto. Pra todo tipo. Pra todo povo.

*Para uma amiga que se encantou com o poético dos arrozais brasileiramente catarinenses.

2 de out. de 2012

O DITAR DOS MESES




Agosto desbotou. Desfolhou...exatamente em uma sexta-feira!
A lua iluminou sua última noite agostina com uma beleza única.
Lá se foram: janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto.
Restarão ainda quatro dos meses a passar para contar-se mais um ano.
Agosto foi assim como qualquer outro agosto.
Ora chuva. Ora sol. Ora vento. Ora brisa. Ora garoa. Ora úmido. Ora seco.
De manhãs ainda noturnas. De dias passados sisudos. De noites mais prolongadas.
O fim de agosto anuncia os estertores do inverno se chegando.

Setembro chegou colorindo.
De amarelos, rosas, vermelhos, brancos jardins baixos e jardins altos.
Gramados verdes e calçadas acinzentadas ganharam mais vida nos nuances das folhas que lhes cobriam.
Os silêncios se quebram dando passagem aos sonoros passaredos. Agora parecendo mais vibrantes.
Atordoam melodiosamente o cotidiano ruidoso da urbanidade. Rsrsrs.
Que dizer então dos avivados sorrisos que se espalham nos mais diversos tons da alegria.
Nas rodas de conversas que retornam as beiras dos bares, botequins, botecos aos fins de tarde e ao adentrar das noites. Doravante, mais estreladas.
Até a lua parece mais brilhante!
Talvez um preparo para se tornar mais insinuante ao adentrar da próxima estação.
O fim de setembro chega ao começo da semana de um novo mês que se configura.

Que outubro se provenha! 
Trazendo o que devera descobriremos ao seu decorrer!
Saudações outubrianas!

IDADES DA VIDA


Acordei me indagando: Quantas idades tem uma vida? Quantas passagens e quantas paradas? Os anos passam? Ou somos nós que passamos por eles? Se os dias que passam de anos têm igual data, qual idade é esta que não se alcança, mas tanto se deseja?Mergulho nas idades como se o fizesse num bolo de camadas múltiplas. Intercaladas entre doces, amargos, cítricos sabores. Encontro tesouros enterrados de séculos. Descubro relíquias. Quantos anos têm em uma vida? Descubro que tanto nos fazem os anos de vida! Tanto fazemos nos anos da vida! Estamos a ser andantes finitos em suas trilhas. Somos teóricos mirabolantes dentro do temporário. Temporalidade com características de impermanência. Usufruímos das idades...dos porquês (a saber: com respostas e sem respostas! Rsrs). Das rebeldias. Das reclamações. Dos achismos. Das razões. Idades felizes. Idades tristes. Idades aturdidas. Idades sonhadoras. Idades aventureiras Idades realizadoras. Idades desmedidas. Idades certinhas. Idades satisfeitas. Idades maduras. Idôneas. Idade para realizar. Idade para desfrutar. Idade para descansar. Para vestirmos todas as cores, todos os estilos; todos os modelitos. Idades para viajar; para ficar; para contemplar. Idades para mudar e para transformar. Ou simplesmente, para permanecer, continuar. Para experimentarmos todas as comidas; todas as bebidas; todos os perfumes. Todos os sabores; todos os ritmos. Para vivermos todos os sentimentos; todas as emoções; frustrações e conquistas. Enfim, tem a idade para deixar de existir! Que ela se chegue quando a ternura dos anos de vida nos chamar para serenar nosso corpo e renovar nosso espirito em direção a outras caminhadas. Fato é que todos passam - idades ou anos. Não cessam de passar, marcando-se pelo incidir do instante que passa. Assim, deduzo: temos idades para todos os tempos...ou será que temos tempo para todas as idades?(ops!) Talvez dependa, isso, de nossa passagem pelos anos da vida! 

21 de jul. de 2012

BRINCADEIRA SÉRIA


Comecei uma brincadeira de tentar nomear o que aparece aos olhos do coração. Descobri que os mesmos se refletem nos ecos da mente. E também enraizados no terreno fértil do espírito. De repente me deparei com uma montanha russa de sensações: ora desce, ora sobe; ora rápida, ora lenta. Ora cabeça para cima. Ora cabeça para baixo. Frio na barriga! Respiração contida! Coração acelerado!
O rosto de frente ao vento conduz à sensação de liberdade!
Rapidamente não me sinto suficientemente adulta para brincar disso. Talvez seja melhor voltar para meus brinquedos de infância: bola de gude, boneca de pano, giz de cera, quadro negro, corda de pular, pião...que gira, gira, gira, até ficar no chão. Amizade, Amor, Carinho, Afeto, Paixão, Compaixão, Respeito, Admiração. Saudade, Tristeza, Magoa, Ressentimento, Raiva, Alegria, Decepção, Frustração. Desejo. Felicidade. Medo. Paciência. Tolerância.
Uffa! Ainda faltam muitos. Mas com esses já posso começar. Preciso arruma-los cuidadosamente nas prateleiras da vida. Nada pode ficar despencando, ou jogado no meio do caminho. Ou esquecido no canto do sofá. Ou enterrado no quintal pelo cachorro. 
A questão é que descobri onde estão todos! Todinhos em um único lugar: brincando dentro de mim! Uns de pica-esconde; outros de pula-pula; estátua; pedra-papel e tesoura; escravos de jó (...tira, bota, deixa ficar...), roda (gira gira gira. Isso me lembra o pião, de novo! Rsrsrsrs). Correm pra lá e pra cá. Pra cima e pra baixo. Riem alto. Cantam. Emitem mensagens de afeições. Gestos de ternura. Escondidinhos, sussurram tramas de alegria. Fazendo a maior bagunça dentro desse meu cotidiano sentimental. Abrem todas as janelas e portas, pedindo passagem a sua expressão única e espontânea.
Essa louca séria brincadeira de sentimentos deixa-me atordoada com multiplicidade de efeitos colaterais que refletem em meu ser: minha barriga dói de tanto rir; meus olhos transbordam de lagrimas; minhas mãos brincam no ar de agitação; meus pés diversificam sua direção na ansiedade de alcançar a magia desta brincadeira. Preciso de alguns segundos para recuperar o folego. Sincronizar o ritmo de significados, que ainda estou conhecendo. Este brincar é, sem duvida, uma brincadeira séria de amadurecer sentimentos! E lá vem novamente a montanha russa de sensações. Desce! Sobe! Rápido! Lento! Cabeça para cima! Cabeça para baixo! ... [Brincadeira Séria].

SAUDADE


Grande ou pequena,
Saudade é saudade!

Uma saudade começa feito uma planta.
Num pequeno pedaço da mente você joga alguns momentos vividos e deixa o tempo agir.
Inicialmente parece não ter algo ali.
Depois de um tempo, a saudade cresce!
Apresenta-se feita de momentos inteiros.
De metades. De retalhos. De mosaicos.
De acasos, ou não.
Acontece num inesperado procurando um acontecer desejado.
Querendo um lugar para onde voltar.
Quando paro para sentir uma saudade;
Quando paro para ouvir uma saudade,
Ela me responde surpreendentemente.
Saudade tem cor! E desbota.
Tem sabor! Gosta e se desgosta!
Tem ritmo! E desafina!
Tem forma! E se deforma!
Tem tamanho! Cresce e diminui!
Tem intensidade! Fortalece e enfraquece!
Tem tempo para acontecer e para durar!
A saudade é feita de dias que se passam,
De presenças que se fazem,
De momentos que acontecem,
De vontades de encontros e reencontros,
De imagens fixas no papel, na mente, no corpo.
De palavras ditas ou não proferidas.
De gestos. De expressões diversas, complexas e simples.
A saudade se instala depois, ou mesmo, antes.
Às vezes, sinto apenas saudade. Sem saber ao certo do que, de quem e por quê.
Mas só de senti-la, pareço mais viva!
Mais agradecida! [SAUDADE]

LUGARES


Lugares são tantos e tão diversos com suas imagens coloridas, ou cores unilaterais; com sons elevados ou de silêncios persistentes que marcam nossas passagens, nossos momentos, nossos estados. Chegam a interferir em nossas ações, pensamentos e sentimentos. Lugares nos remetem a lembranças, a memorias ora agradáveis, engraçadas; ora tristes, desagradáveis. Lugares se fazem longínquos, próximos...em meio ao caminho. Lugares são, por vezes, o caminho. Lugares dizem respeito de pessoas, de fatos. Guardam histórias e contam estórias. Lugares são tantos e tão diversos. São difíceis por decidir; são opções. Lugares são imperturbáveis; fáceis de desmontar. Lugares são distintos ao olhos, a mente, ao coração. Ou, lugares são simplesmente locais de passagens! [Lugares]

1 de mai. de 2012

2 de mar. de 2012

UMA PARTIDA*.

Escolhi meu momento de ausência, não a forma de minha despedida. Meu dia acordou suave, com frescor da brisa da manhã depois de uma torrente ventania. Peguei carona nas asas daquele que voa eternamente, mas foi em harmonia natural que o vento me transportou. O vento me conduziu à transformação da vida; me levou a cruzar caminhos. Agora aprecio a vida, digamos, de um outro ponto de vista. O meu momento finalizou num entardecer avermelhado intenso, mas sereno. Minha despedida momentaneamente eterna se realizou. Que os dias saibam guardar com carinho as lembranças dos que me levam no coração. Em um dia primeiro do mês março de um ano de 2012.

*em homenagem a mãe de um amigo (JJ)

21 de fev. de 2012

DA TRISTEZA.

Dizem que os grandes poetas gostam de escrever a tristeza. No fundo penso que eles simplesmente a deixam fluir da forma que mais lhe parece representativa. Assim como os músicos, os pintores, os escultores, os literatos. Mas, e a gente comum não se entristece? Os motivos são aparentes. Ou transparentes. Por egoísmo próprio ou pela compaixão das dores do mundo. Pode ser provocada por um gesto, por uma palavra, por um acontecimento. Ou simplesmente...por um não acontecimento, uma palavra não dita, por um gesto não existido. A tristeza sempre aparecerá. Muito embora não saibamos do seu momento. Fato é conseguirmos senti-la sem paramentos de sedação. Da época em foco é uma surpresa ainda darmos passagem à tristeza. Dentro de uma agitação cotidiana. Um corre-corre de lá pra cá; de cá pra lá. Há tanta coisa para fazer que resta pouco tempo. Cabe-nos o alento do sentir triste. Neste caso, sentir é um verbo conjugado de forma interna. Que aquece o espírito mesmo que seu sentir seja por uma tristeza. Um profundo retiro de minha dor em mim mesmo. Um entusiasmo contido retratado num silencio intenso. A tristeza, sentimento covardemente expulso do mundo por propagandas coloridas. Sons estupidamente alucinatórios. Sorrisos plastificados. Gestos mecanicamente gélidos. Agitação constante de um não parar para pensar; para sentir. Mas estranhamente no silencio triste da tristeza estende-se um caminho de melhor conversa consigo mesmo àquele que se permite faze-lo. E no construir desse diálogo meio atravessado a tristeza acaba saindo também. Acenando como quem está indo ao longe, sua imagem desfalece no espaço do tempo dando lugar a outro sentimento. Quiçá outra tristeza. Sabe-se lá!

Controversa ou não, triste mesmo é negar-se a sentir.