21 de jul. de 2012

BRINCADEIRA SÉRIA


Comecei uma brincadeira de tentar nomear o que aparece aos olhos do coração. Descobri que os mesmos se refletem nos ecos da mente. E também enraizados no terreno fértil do espírito. De repente me deparei com uma montanha russa de sensações: ora desce, ora sobe; ora rápida, ora lenta. Ora cabeça para cima. Ora cabeça para baixo. Frio na barriga! Respiração contida! Coração acelerado!
O rosto de frente ao vento conduz à sensação de liberdade!
Rapidamente não me sinto suficientemente adulta para brincar disso. Talvez seja melhor voltar para meus brinquedos de infância: bola de gude, boneca de pano, giz de cera, quadro negro, corda de pular, pião...que gira, gira, gira, até ficar no chão. Amizade, Amor, Carinho, Afeto, Paixão, Compaixão, Respeito, Admiração. Saudade, Tristeza, Magoa, Ressentimento, Raiva, Alegria, Decepção, Frustração. Desejo. Felicidade. Medo. Paciência. Tolerância.
Uffa! Ainda faltam muitos. Mas com esses já posso começar. Preciso arruma-los cuidadosamente nas prateleiras da vida. Nada pode ficar despencando, ou jogado no meio do caminho. Ou esquecido no canto do sofá. Ou enterrado no quintal pelo cachorro. 
A questão é que descobri onde estão todos! Todinhos em um único lugar: brincando dentro de mim! Uns de pica-esconde; outros de pula-pula; estátua; pedra-papel e tesoura; escravos de jó (...tira, bota, deixa ficar...), roda (gira gira gira. Isso me lembra o pião, de novo! Rsrsrsrs). Correm pra lá e pra cá. Pra cima e pra baixo. Riem alto. Cantam. Emitem mensagens de afeições. Gestos de ternura. Escondidinhos, sussurram tramas de alegria. Fazendo a maior bagunça dentro desse meu cotidiano sentimental. Abrem todas as janelas e portas, pedindo passagem a sua expressão única e espontânea.
Essa louca séria brincadeira de sentimentos deixa-me atordoada com multiplicidade de efeitos colaterais que refletem em meu ser: minha barriga dói de tanto rir; meus olhos transbordam de lagrimas; minhas mãos brincam no ar de agitação; meus pés diversificam sua direção na ansiedade de alcançar a magia desta brincadeira. Preciso de alguns segundos para recuperar o folego. Sincronizar o ritmo de significados, que ainda estou conhecendo. Este brincar é, sem duvida, uma brincadeira séria de amadurecer sentimentos! E lá vem novamente a montanha russa de sensações. Desce! Sobe! Rápido! Lento! Cabeça para cima! Cabeça para baixo! ... [Brincadeira Séria].

SAUDADE


Grande ou pequena,
Saudade é saudade!

Uma saudade começa feito uma planta.
Num pequeno pedaço da mente você joga alguns momentos vividos e deixa o tempo agir.
Inicialmente parece não ter algo ali.
Depois de um tempo, a saudade cresce!
Apresenta-se feita de momentos inteiros.
De metades. De retalhos. De mosaicos.
De acasos, ou não.
Acontece num inesperado procurando um acontecer desejado.
Querendo um lugar para onde voltar.
Quando paro para sentir uma saudade;
Quando paro para ouvir uma saudade,
Ela me responde surpreendentemente.
Saudade tem cor! E desbota.
Tem sabor! Gosta e se desgosta!
Tem ritmo! E desafina!
Tem forma! E se deforma!
Tem tamanho! Cresce e diminui!
Tem intensidade! Fortalece e enfraquece!
Tem tempo para acontecer e para durar!
A saudade é feita de dias que se passam,
De presenças que se fazem,
De momentos que acontecem,
De vontades de encontros e reencontros,
De imagens fixas no papel, na mente, no corpo.
De palavras ditas ou não proferidas.
De gestos. De expressões diversas, complexas e simples.
A saudade se instala depois, ou mesmo, antes.
Às vezes, sinto apenas saudade. Sem saber ao certo do que, de quem e por quê.
Mas só de senti-la, pareço mais viva!
Mais agradecida! [SAUDADE]

LUGARES


Lugares são tantos e tão diversos com suas imagens coloridas, ou cores unilaterais; com sons elevados ou de silêncios persistentes que marcam nossas passagens, nossos momentos, nossos estados. Chegam a interferir em nossas ações, pensamentos e sentimentos. Lugares nos remetem a lembranças, a memorias ora agradáveis, engraçadas; ora tristes, desagradáveis. Lugares se fazem longínquos, próximos...em meio ao caminho. Lugares são, por vezes, o caminho. Lugares dizem respeito de pessoas, de fatos. Guardam histórias e contam estórias. Lugares são tantos e tão diversos. São difíceis por decidir; são opções. Lugares são imperturbáveis; fáceis de desmontar. Lugares são distintos ao olhos, a mente, ao coração. Ou, lugares são simplesmente locais de passagens! [Lugares]

1 de mai. de 2012

2 de mar. de 2012

UMA PARTIDA*.

Escolhi meu momento de ausência, não a forma de minha despedida. Meu dia acordou suave, com frescor da brisa da manhã depois de uma torrente ventania. Peguei carona nas asas daquele que voa eternamente, mas foi em harmonia natural que o vento me transportou. O vento me conduziu à transformação da vida; me levou a cruzar caminhos. Agora aprecio a vida, digamos, de um outro ponto de vista. O meu momento finalizou num entardecer avermelhado intenso, mas sereno. Minha despedida momentaneamente eterna se realizou. Que os dias saibam guardar com carinho as lembranças dos que me levam no coração. Em um dia primeiro do mês março de um ano de 2012.

*em homenagem a mãe de um amigo (JJ)

21 de fev. de 2012

DA TRISTEZA.

Dizem que os grandes poetas gostam de escrever a tristeza. No fundo penso que eles simplesmente a deixam fluir da forma que mais lhe parece representativa. Assim como os músicos, os pintores, os escultores, os literatos. Mas, e a gente comum não se entristece? Os motivos são aparentes. Ou transparentes. Por egoísmo próprio ou pela compaixão das dores do mundo. Pode ser provocada por um gesto, por uma palavra, por um acontecimento. Ou simplesmente...por um não acontecimento, uma palavra não dita, por um gesto não existido. A tristeza sempre aparecerá. Muito embora não saibamos do seu momento. Fato é conseguirmos senti-la sem paramentos de sedação. Da época em foco é uma surpresa ainda darmos passagem à tristeza. Dentro de uma agitação cotidiana. Um corre-corre de lá pra cá; de cá pra lá. Há tanta coisa para fazer que resta pouco tempo. Cabe-nos o alento do sentir triste. Neste caso, sentir é um verbo conjugado de forma interna. Que aquece o espírito mesmo que seu sentir seja por uma tristeza. Um profundo retiro de minha dor em mim mesmo. Um entusiasmo contido retratado num silencio intenso. A tristeza, sentimento covardemente expulso do mundo por propagandas coloridas. Sons estupidamente alucinatórios. Sorrisos plastificados. Gestos mecanicamente gélidos. Agitação constante de um não parar para pensar; para sentir. Mas estranhamente no silencio triste da tristeza estende-se um caminho de melhor conversa consigo mesmo àquele que se permite faze-lo. E no construir desse diálogo meio atravessado a tristeza acaba saindo também. Acenando como quem está indo ao longe, sua imagem desfalece no espaço do tempo dando lugar a outro sentimento. Quiçá outra tristeza. Sabe-se lá!

Controversa ou não, triste mesmo é negar-se a sentir.

DA TRISTEZA - parte 2.

Perguntaram-me se eu estava triste ao escrever sobre a tristeza.
Minha resposta veio em forma de outra pergunta:
é preciso estar triste para sentir tristeza?
Posso escrevê-la tristeza por sentir-me motivada!
Por sentir saudades, nostalgia!
Por ter lembranças!
Por sentir-me realizada, satisfeita!
Ou, simplesmente posso escrevê-la tristeza por sentir alegria!
Quaisquer sentimentos...
Seja por senti-los,
Seja por percebê-los em algo ou alguém,
Seja por conscientiza-los em meu próprio existir,
Seja, simplesmente, por escrevê-los na tentativa de uma humilde tradução.
Mas, se aprender a senti-los na intensidade que devem ser...
Ficarei satisfeita.
Pois, assim, posso tê-los sem o demasiado sofrimento.
E seguir sentindo o que me for devido...triste ou não.
Sem me deixar prender pelos apelos do sentir amortecido das épocas de agora.

ENCONTRE-ME PARA QUALQUER COISA

Ei, você aí? É. Bem você mesmo.
Tá fazendo o que? Sei.
Então, presta atenção.
Encontre-me para bebericar algo: vinho, cerveja, caipirinha, chá, café, chocolate, suco.
Um copo d’água refresca bem e serve a qualquer momento.
Encontre-me para uma corrida, um dançar, uma caminhada; um andar descalço.
Perambular por quaisquer caminhos urbanos, rurais, fantasiosos, reais.
Encontre-me para um prosear; uma conversa largada sem eira nem beira; um papo-cabeça.
A associação de palavras pode acontecer a quaisquer instantes.
Encontre-me na esquina, no boteco, no salão de festas, na biblioteca, no ponto de ônibus, na rodoviária, no templo. Nos lugares mais inusitados e inesperados também são aceitos.
Encontre-me para um petisco tostado; um prato refinado; ou o trivial feijão com arroz.
Encontre-me para uma musica erudita; um pagode surrado; uma rancheira marcada; um samba de breque.
Encontre-me para uma comedia displicente; um suspense inteligente; um drama chorado; um romance imortal; um musical.
Encontre-me para observar o que estiver ao alcance dos olhos e brincarmos com as cenas da imaginação.
Sejamos criativos!
Encontre-me amanha e depois. Ou mesmo hoje.
Para rirmos do que passou e divagarmos sobre o que virá.
Encontre-me para silenciar porque esse pode ser o momento exato de ouvir melhor qualquer som.
Encontre-me para qualquer coisa, pois esta será sempre a melhor hora para se fazer nada.
Encontre-me! Venha por qualquer caminho; chegue a qualquer tempo, de qualquer jeito.
Encontre-me simplesmente para qualquer coisa!

LINGUAGEM DO VENTO.

Como brisa ao findar dos dias.
Como ventania no transcorrer das tempestades.
Como murmúrio aos amanheceres.
O vento tem sua linguagem particular.
Uma linguagem integrada ao balançar dos galhos,

ao esvoaçar das folhas;
aos tempos das estações.
Vento que canta, encanta, aterroriza.
Varre meus pesares.
Refresca minhas memorias.
Espalha meus sentimentos.
Reúne meus pensamentos.
Revela-me qual o segredo de sua liberdade!
Ir por lugares diversos,
Passar por tamanhos ínfimos,
Desprender-se por espaços limitados [...]

Talvez tenha que aprender a escuta-lo no sopro diário de sua presença.
Ou ausência!

8 de jan. de 2012

pro ano de 2012

Saudações!
Pro ano que finda e pro ano que começa vai lá um convite adornado do mais colorido festim: achegue-se quem vem no caminho. De passagem, que seja! Pode servir-se. É só levar. É só levar! Sirva-se em abundancia dos regalos que a vida oferta e na medida em que lhe seja suficiente; para que possa o outro também ser servido. E continuar a servir. À entrada: beijinhos, abraços, afagos, sorrisos, olhares, carinhos. Todos quentinhos. Prontinhos para serem consumidos. Servidos a hora do pedido. Como ceia serve-se respeito, compreensão, saúde, paz, amor, paciência, sinceridade, fé, humildade. Todos com acompanhamentos completos: aconchego, confiança, sutileza, bondade, serenidade, tolerância, vontade, aceitação, gratidão. Os temperos estão a disposição e conforme o gosto: delicadeza alegria, paixão, entusiasmo, temperança, perseverança, cortesia, Recomenda-se ainda algumas porções de diversidade de: companhia, acolhimento, amizade, lealdade, sentimentos, emoções, saudades, lagrimas. Para entretenimento dos participantes: movimentos, ritmos, cores, cheiros, aplausos, conquistas, silêncios. Saboreie a harmonia dessas iguarias de uma vida mais chegada aos encontros que ela proporciona. Aproxime pra mais perto. Assim fica melhor e mais fácil para assear quando da chegada dos desavisos do caminho, dos mal-estares e indigestões. Esta ceia pode durar mais que um dia. Mais que uma semana. Mais que uma dezena de semanas. Mais que uns meses. Pode durar pra mais de mim. Pra mais de você. Pois a validade da qualidade desses alimentos não se vence! Seja para este, seja para o ano seguinte. E o seguinte. E o seguinte!
Com minha imensa gratidão a presença de todos nos sustento de meus dias...
FELIZ NATAL E SABOROSO 2012 !

30 de nov. de 2011

QUANTO ENVOLVE UM MINUTO.

Exato instante entre algo mutável e o que quero como permanente;
Exato instante entre o vago do que pode vir a ser e o que acabou sendo;
Exato instante ambicionado de calmaria para os dias agitados;
Exato instante desejado de rebuliço para os dias sossegados.
Exato instante do silencio necessário para as escolhas a fazer;
Exato instante de ação perante as decisões tomadas.
Exato instante que separa sutilmente a diferença entre o significado de um sim e de um não.

Um minuto que nasce em um acaso qualquer
e acaba na mesma duração de tempo,
deixando memorias do inédito.
Que desconhece a proporcionalidade de um único evento.
Que simplesmente transcorre na medida de sua singular e particular trajetória.

Um minuto...
passa e não quer de volta;
Acontece e não cobra o que ocorreu;
Provoca sem esperar seja o que for;
Motiva lagrimas e sorrisos conjuntamente;
Abarca lembranças de ocasiões;
Guarda saudades;
Surpreende, em sua pequena finitude,
com uma realização de diversas sensações.
Alimenta o tempo que sucedeu.
Renova o tempo que chega.
E que incide num contínum infinitum de minutos que se seguem.

Um minuto se compõe no conjunto de seus segundos.
E compõe horas inteiras de dias igualmente inteiros.
Minuto em minuto, quando somados, valem mais que uma fatia de tempo.
Contam a jornada de uma vida toda.

ESTAÇÕES - PRIMAVERA.



Hoje de manhã não abri a janela.
Saí de surpresa a porta que dá para o jardim.
Senti-me liberta para apreciar...
Transformações contínuas perpassam as paisagens do cotidiano.
As quais, nem sempre, estamos perceptíveis.
Iludimo-nos dentro de uma percepção do constante...
do permanente...do estável.

De meses a meses despimos cores, odores, temperaturas, ritmos, nascimentos, mortes.
Renovações que nos são ofertadas como peças singulares de uma produção de série exclusiva.
A hora, ao dia, ao momento mínimo que se deixa acontecer.

Inundou-me uma vontade de mudar minha meteorologia interior na tentativa de acompanhar tamanha inspiração!

Quanto tempo leva para aprender...
que a flor tem vida na semente
que a semente tem vida na terra
que a terra é vida natureza.

Quanto tempo leva para aprender...
que a folha pertence a uma planta
que a planta integra-se a terra
que a terra é vida natureza.

Quanto tempo leva para aprender...
que odores perfumados pertencem aos jardins,
que cores diversas ofuscam prazerosamente o olhar,
que gotículas escorregam divertidamente pelas folhas, troncos, vidros, paredes, etc. refrescando o ar/ terra
que a terra é vida natureza.

Quanto tempo leva para aprender...
que a manutenção da vida está na atitude do que se faz agora





que o fazer de agora está intrínseco ao agir de ontem
que o agir de ontem implica no ato de perceber a vida até seu mais derradeiro momento





[quiçá pertencer este ao amanhã de amanhãs para além!].
que o segredo da chegada está, exatamente, no dia da partida.

Como prenunciado:
todo ano a primavera volta a aparecer
para, alguns dias após, partir.
Sem, contudo, deixar de ocorrer.





Belíssima mensagem nos traz à vida que devemos viver.

MINHA QUARTA-FEIRA.

Minha quarta está assim...
voando por estar enamorada pelas ações que se deixam acontecer:
um cuidado com o cão, um cuidado ao preparo do café, um cuidado com o jardim, um cuidado com as plantas, um cuidado com a casa... vários cuidados.
O sol deixa o dia mais leve. E com certeza, mais luminoso e aquecido. Porém, não muito. Uma temperatura quase que... perfeita.
As cores parecem mais vivas. Os pássaros animados sobrevoam o céu em loucas e livres manobras, contrastando suas cores com o azul celeste.
O leve vento aparece e desaparece, por momentos breves.
Nos instantes posteriores, me deleito com palavras que busco humildemente entender; tornando-as práticas do meu dia-a-dia.
E assim, delineando meu crescimento no caminho de um cuidado com aqueles que comigo se cruzam, convivem, compartilham.
Em outras leituras me perco num mundo de dragões, anões, elfos, cavalheiros, encantamentos.
Que também seduzem minha imaginação.
Minha quarta vai se finalizando.
Ainda há tempo para tantos afazeres, mas eu escolho um: deixar-me adormecer embalada pela doce música e voz de Mercedes Sosa a lembrar-me... gracias a la vida!
Eu me rendo e reverencio! Pois amanhã chegará como chegou esta quarta (2011)

24 de ago. de 2011

FINS DE SEMANA.



Chega fim de semana! na quinta penso que falta um dia para sexta. na sexta levanto sabendo que falta menos seis horas. passo o dia com um sorriso abobado no rosto. um olhar perdido imaginando o fazer do fim de semana. meu fim de semana tem início às 18h e 01 min da nobre sexta-feira. debando para casa num ímpeto de chegar. ao fazê-lo, deparo-me com uma linda visão da lua. esta, me obriga a lhe render suspiros. deixo-me ficar sentada. minutos transcorrem ao subir da lua por detrás da montanha. deixo-me mais leve. no aguardo das companhias de logo mais. conversas. risos. comida. bebida. belo início deste fim de semana que acontece. o sábado amanhece devagar. o sol adentra o quarto sem licença e clareia a cama. onde, preguiçosamente, me escondo entre os travesseiros. meu sábado passa gostoso. preparo artimanhas de carpintaria para jardinagem. tudo no amadorismo...de um fim de semana. o chegar da noite reserva aos ouvidos a suavidade de poemas: "Eu pronuncio teu nome nas noite escuras,quando vêm os astros beber na lua e dormem na ramagem das frontes ocultas" [Garcia Lorca].durmo com a luz da lua refletindo no armario. domingo se chega. levantar a qualquer hora. para andar com qualquer roupa. qualquer par de chinelo. na verdade, algo que me faça confortavelmente...domingo! instantes egoisticamente meus. ou compartilhados. meu domingo me reserva satisfação! aconchego! acolhimento! carinho! diversão! sorrisos reverberando no ar. tudo de que preciso! meus fins de semana são regados a sentimentos. em companhias igualmente...domingueiras. gêneros básicos para minha semana seguinte!

QUE SE DEIXE AO CORAÇÃO.

Coração traidor, que se encanta por mimos tantos. que se entrega a palavras vãs na esperança de encontrar o bem-querer mais inteiro. que se deixa conduzir por sonhos a realidades docemente fantasiosas. que planta raízes em terreno da fértil imaginação afetiva. que se sustenta na existência de amores fraternos e companheiros. que se deixa leve flutuar além do chão. que me eleva a todos os céus e me conduz a todas as terras. por cima. por baixo. que ecoa no silêncio de seu pulsar. que procura um instante de mim no movimento diverso de outras gentes. que me faz existir todas as manhãs, todas as noites, todas as tardes...dias a dias afins. ah, coração de procuras avessas! que intui por um sentimento que não esmoreça. por uma amizade que não sucumba. por um amor que não finde nos melindres adversos da vida. ah, coração de procura avessas! que encanto responderá aos seus reveses!

24 de jun. de 2011

ARMÁRIOS DO TEMPO.

Na existência do passar dos tempos sentimentos agigantados findaram. Juras de amor se perderam. Despedidas se fizeram. O tempo de atrás tem historias não esquecidas que se contam na lembrança do que já foi. O armário do tempo tem gavetas inúmeras que guardam memorias merecidas de respeito e ternura. Tem conteúdos armazenados nas prateleiras da vida. Tem um baú de esconderijos que resguarda episódios decorridos. Tem fechaduras de segredos que guardam lembranças originais. Tem poeiras que acobertam um amontoado de coisas que revelam mais do que se mostra ser. O mesmo tempo disfarça os conteúdos. Vasculha. Mistura. Separa. Assombra. Rotula. Agita. Acomoda. Aproxima. Distancia. Restringe. Amplia. Intimida. Preocupa. Ocupa. Interage. Integra. Contrapõe-se. Contradiz-se. Completa-se. Por fim, não responde a lógica alguma. Não abre brechas a explicações. Esses disparates do tempo anulam as resistências internas. Sabotam as defesas. Confrontam nossas certezas com a relatividade de nossa própria existência. Embotam o pensamento enquanto não nos fazermos concordantes de suas condições. A razão responde menos ao que se percebe mais ao que se sente. Passamos, a saber, aquém do que supúnhamos saber. Nosso armário retém histórias que perpetuam um contínuo muito além de nós mesmos. De um tempo que em determinado momento, deixou de nos pertencer.

INVERNO. (2011)

Não se trata só de uma estação que começa. Novas sensações. Novos odores. Novas cores. Outros ritmos. Novos cenários desenham-se no transcorrer dos dias, agora mais curtos. Paladares mais aquecidos. O deleite de uma sopa. De um chá. De um café cheiroso coando devagar sobre o fogão. De uma taça de conhaque brincando entre os dedos. De um gole de cachaça para afoguetar o rosto. Um cobertor para ninar. Uma pantufa para os pés esquentar. Um cachecol para o pescoço aquecer. Um banho com uma enxurrada de água quentinha. “Duchas corona, um banho de alegria num mundo de água quente” (rs. Invernos da infância em frente a TV). Folhas nas calçadas. Vidros umedecidos. Janelas embaçadas. Chuvas gélidas. Ruas vazias aos sopros do vento. A névoa cresce pela madrugada. E permanece acompanhando os primeiros e tímidos raios de sol manhã adentro. O sol chega mais tarde e vai embora mais cedo. A cidade esquenta no movimento vai- e- vem dos transeuntes cotidianos. Um tom acinzentado toma conta das telas urbanas. Um ar solitário encerra as paisagens rurais. Estação que faz surgir maior intimidade de um aconchego. Um sentir mais reservado. Um sentimento romanceado. Talvez brega. Um pouco acanhado. Um tanto privado. Protegido. Que o inverno se deixe começar novamente. E de repente nos envolva no resguardo de temperaturas frias que então nos empurram para achegos aquecidos.

MINHA ESCRITA.

Minha escrita me delata numa mistura de letras, frases, parágrafos inteiros. Aqui, todos os meus silêncios. Os meus cantos. Os meus sentidos. Todas as minhas emoções. Os meus sentimentos. Todas minhas verdades absolutas relativizadas. Minhas mentiras ocultas. Não explícitas. Minha fisiologia retratada na forma que se desenha o texto de então. De outrora. Por ainda completar-se. Faço-me num fluxo de misturas semânticas que se largam ao sabor de combinações tantas. Vagando aos significados de outras percepções. Não que percam seus significados reais aos meus mais íntimos. Pelo contrário. Na condição despojada de meus mais particulares ditos, acrescenta-se o de outras grandezas. Tornando mais excelentes meus traduzidos. Enriqueço na diversidade das interpretações. Sem a pretensa ousadia de uma sintaxe perfeita, me resguardo por traz de vocábulos infinitamente seculares. Não escrevo por determinações. Por decretos. Por trabalho. Escrevo-me por sentidos. Primeiro o de uma contínua necessidade de escutar a mim mesma. Segundo, o de num constante agradecer aos que me escutam comigo mesma. Compartilhando de minhas reflexões. De minhas sensações. De minhas repetições. Como é difícil não me repetir. Identifico, mas, de certa forma, ainda não sei o parar desse meu agora cotidiano. É uma escrita que ressurgiu para passar ao cotidiano. Meio rustica. Meio envergonhada. Meio atropelada das letras e dos pontos; dos inicios e dos fins. Meio repetitiva. Meio delirante. Meio verdade. Meio fantasia. Meio sentimento. Meio reflexiva. E como já ouvi, meio confessional. Aqui estou me dizendo. Colhendo diferentes de mim. Diferentes maturidades. Diferentes combinações. Diferentes vivências. Para que novamente me faça em escritas quaisquer. Minha escrita é sentimental. Um templo de gentes, sensações, emoções e sentimentos, lembranças, de agoras, de amanhas. Uma escrita que se faz ainda quando o acontecido não se completa. Uma escrita de pedaços. De frações. Às vezes, de inteiros. De um dia. De uma semana. De um mês. De uns anos. Quiçá, por toda uma vida...de uma vida toda.

3 de mai. de 2011

ACHADOS (DA VIDA).

Ensaio passos para entender a história que perdi capítulos.

chega-me por meio de uma rede de infinitas sensações.

revelações. segredos. acontecimentos. silncios. falas. presenças. ausências.


a cada vez que chego, uma espera de ansiedade.

no reencontro, um misto de sentimentos intensos.

renovados. retificados. construídos como novos.

na passagem dos dias, descobertas de uma história que me é estranha.

que, no entanto, me pertence.

o ritmo dos dias tem um compasso diferente.

os sons se propagam em espaços pouco conhecidos.

tudo acontece ratificado por sorrisos, gestos, palavras receptivas.

deixando emergir as curiosidades que se manifestam.

as horas trazem relatos que preenchem vazios de outrora.

ao me permitir aproximar dessa minha realidade ainda alheia...

tornam-se visíveis expressões acaloradas e agradáveis.

cumprimentos matinais na companhia de compartilhar uma refeição aquecida por cuidados e atenções.

passeios coloridos de diversão e emoções distintas.


almejo captar cada detalhe dessa realidade que se evidencia.

que me inebria com descobrimentos significativos dos dias de ontem;

que me encanta com os momentos dos dias de hoje;

que me cativa com a perspectiva dos dias futuros.

quero me deixar descobrir por quem vem de encontro dessa mesma realidade.


a cada vez que parto meu coração se enche de alegria pelo vivido.

entristece pelo que ficou sem a certeza do quando voltar.

deixo porções de mim; levo porções de quem fica.

arrebatam-me sentimentos distintos de ir e de permanecer.

a despedida transforma-se em uma vontade de retorno breve.

um combinado de sentimentos e emoções se apossa dos meus mais íntimos anseios.

que por si já não se reconhecem em seus próprios motivos.

sinto que uma nova composição de mim mesma tem seu início. aceito.

permito-me o espírito aberto para apreender o que ainda se fará por acontecer.

effugere non potes necessitates! (não se pode fugir ao destino!)