10 de abr. de 2011

PROSEANDO COM O TEMPO.

Bati a porta do Tempo e com licença adentrei. O tempo me convidou pra prosea. são dessas prosas confortáveis e desconfortáveis. dessas que preparam para a vida. uma composição de ruídos e silêncios pausados no aguardo de um contra-argumento. de respostas. de questionamentos. de elogios. de críticas. de simples reflexão. trata-se de um desses conversê que foge mesmo a medida do próprio anfitrião - o Tempo - por se faze em narrativas por ademais envolventes. essa prosa me surpreende. não poderia ter pensado ou imaginado ou fantasiado que fosse, o quanto se faz sabedoria nesse prosea. prosea assim, meio que desligado de uma presença de fato, que se recusa a um corpo fisico. é de uma experiência particularmente única. é como provocar um eco dos próprios pensamentos. das próprias vivências. reverberações de sentidos e de sentimentos. e, às prosas, se falam de tudo...o que aconteceu: do nascimento. das traquinagens da infância. das rebeldias da adolescência. de tudo o que acontece: das escolhas e responsabilidades da maturidade. do conhecimento transformado em vida. das emoções e sentimentos existidos. dos momentos solitários. dos momentos compartilhados. de tudo o que está por acontecer: ... e ainda não aconteceu. a prosa tá mais de boa e há de se prolonga até o dia clarea. é preciso cadencia o ritmo e espaça o conversê pra dá lugar pro descanso merecido. que novas e outras prosa havera de se chega.

9 de abr. de 2011

PEDACINHOS DE VIDA.

Tempo cronológico, definido em horas composto por minutos reduzido a segundos. Um tempo determinado pelo antes e pelo depois, de começos e de fins. Tempo de memórias, contado por projeções de imagens ilusórias...reais... evocado ante uma saudade. uma nostalgia. um desejo. um bem-querer. Um tempo de antepassados, de perspectivas futuras e, muito especialmente, de agoras. Tempo de palavras, marcado por símbolos lançados ao espaço aberto ecoando significados tantos para mim. para você. para outros. para tantos. Tempo de expressões, desenhado por gestos e atitudes cuja permanência se sustenta na percepção de quem recebe. de quem dá. de quem presencia. Tempo de sentidos apurados. escondidos. camuflados. direcionados. perdidos. misturados. confusos. libertos. Tempo de sentimentos obscuros. ocultos. ignorados. submissos. impostos. desconhecidos. reconhecidos. intensamente vividos! Tempo de sons. de odores. de climas. de passagens. de lugares. de narrativas inventadas. de narrativas legítimadas. Tempo que se escreve em marcas que não pedem licença para ficar; que contam, muito particularmente, histórias de tantas, muitas pessoas que vivem a seu tempo.

SAUDADES DO MEU TEMPO.

Constantes mudanças guardam o que não se deixa perder nas retinas cansadas...registros de outrora.

abre-se um baú de inocentes memórias. Cenas simples.

Personagens eternos. Gostos. Ccheiros. Sensações.

Estrelas que compõe com o céu enluarado o traçado dos caminhantes noturnos.

Nuvens que se moldam sobre a imaginação do olhar. Brincadeira de criança!

Árvores que sobem em tamanho crescente.

Riachos que abrem passagens em curvas e retas no traçado das águas.

Varanda povoada por conversas cotidianas de dias passados mais tranquilos.

Presenças enraizadas através de fatos. De palavras. De sentimentos.

E, sobretudo, de gestos.

Saudades do meu tempo!

Pés descalços. Sorriso aberto. Banho de mangueira no jardim.

Cenoura do quintal. Ovo do galinheiro. Caixa de areia. Poça de lama...

Saudades do meu tempo!

Balanço de corda. Pipa no telhado. Trave de pedras. Bola na rua.

Esconde-esconde. Bola de gude. Geladinho. Casinha na árvore.

Boneca de pano. Pião girando na palma da mão...na calçada...na rua [risos].

Saudades do meu tempo!

Benções pedidas. Canções de ninar. Beijos na testa. Sanduíches de mortadela.

Pão com geléia. Broa de polvilho. Soninho da tarde.

Almoço em familia: pais, filhos, avós, tios, primos, amigos...

Saudades do meu tempo!

Nostalgia que bastece o espírito para meus tempos de agoras e de amanhãs.

6 de fev. de 2011

ANÚNCIO.

preciso de um amor. de outro amor. quem sabe, um amor inédito.
que em si mesmo ofereça o sossego de um bem-querer.
que me arrebate intensamente o espírito... a alma.
preciso de um amor.
que em tudo se transmute.
que responda ao coração mais que a razão.
preciso de um amor.
que se faça diferente, intenso, único.
que se sinta particularmente...meu!
preciso de um amor.
que me transporte para qualquer lugar do mundo.
que povoe minhas memórias com lembranças ternas e verdadeiras.
preciso de um amor maior.
que me ensine o que ainda não sei.
o que meus sentimentos e razões ignoram.
preciso de um amor.
que me ame em silêncio gritante.
que componha comigo uma história para deixar às geraçoes futuras.
preciso de um amor.
que me faça chorar de saudade.
que me faça chorar de alegria.
que me provoque um misto de emoções explosivas.
preciso de um amor.
que me improvise poesias e me enamore com flores e chamegos.
que me impeça de olhar para trás por não conseguir desviar meus olhos de sua expressão...
de seus gestos.
preciso de um amor.
que seja inocente no olhar, mas libertino no abraçar.
que me carregue nos braços do tempo para que eu não o perceba passar.
preciso de um novo amor...
que transforme, que permute, que surpreenda
que, acima de tudo, acompanhe e compartilhe mais que o amor,
o respeito de se manter único tornando-se dois.

DOS DIAS COTIDIANOS II.

Ah, esse cheiro de grama recém cortada. esse colorido verde intenso úmido. um passeio matinal breve. uma leitura leve, repleta de personagens audaciosos, paisagens vivas, estórias fictícias. será ? uma rede a balançar de cá pra lá. e pra lá de novo. e novamente embala os pensamentos que vagueiam um a um. o dia não passa sem prazer da culinária. o odor das ervas e temperos que se misturam provocando o degustar da imaginação de quem apenas sente, porém , não vê. entre um espaço e outro, uma consulta ao computador. uma visita a televisão, com um filme já visto. e visto igualmente. a chuva esporádica, silenciosa e vagarosa marca a passagem deste meu dia. amenidades que acompanham um dia preguiçosamente cotidiano.

1 de nov. de 2010

DOS ÚLTIMOS TEMPOS (2010).

...que têm mais cores. q têm sons mais diversos. que têm os mesmos dias, com as mesmas horas e minutos passando, no entanto parecem mais plenos. que têm mais luz. que têm mais quietude. que têm mais vento no rosto. que têm mais sol ofuscando o olhar. que têm mais chuva no corpo. que têm mais orvalho matinal na folha. que têm mais brisa noturna da madrugada. que se repetem, mas são os mais inéditos. tenho ficado bastante tempo com o que chamo companhia só. companhia de mim mesmo. esta chamada companhia só tem me traduzido em segredos descobertas dos últimos tempos. tem-me ampliado e aguçado os sentidos. tem-me apurado a percepção ao movimento mais simples. Do andar sorrateiro do gato da vizinha sobre a murada abaulada do jardim. tem-me afinado o ouvido ao ruído mais baixo. Da respiração sonolenta do meu cachorro ao transcorrer do período vespertino. tem-me focado a atenção ao menor detalhe. Do orifício na parece onde o despertar do sol se projeta ao lado oposto do quarto. Tem-me elevado a concentração do momento mais breve ao mais prolongado. Da borboleta que pousa na janela para alçar vôo no instante seguinte. tenho gostado muito desses encontros. que longe de acanhar o convívio social, o torna mais intenso. Que diferente de esfriar os sentimentos, os calibra numa dosagem aprazível. é o viver das experiências. Daquelas feitas e desfeitas e, daquelas, que por certa feita, hão de se fazer. Repito: tenho gostado muito desses encontros! eu aqui, em companhia só de mim mesmo, descobrindo um continente de aproximações e diálogos.

27 de out. de 2010

DESTINOS.

Coloco-me como observadora de mim mesma.
Eu vislumbrava um destino aventureiro: grandes viagens, rumos desconhecidos, amores ciganos, idas sem voltas, emoções constantes; planos incertos; mistério por desvendar... sem saber se o resultado me seria agradável, ilusório, imediato, efêmero, finito, ou mesmo real.
Quis escrever meus destinos em pedras para que perpetuassem independente dos tempos.
As pedras me castigaram mostrando que o tempo é seu aliado e que suas cicatrizes saram a medida de sua ação natural.
Traíram-me minhas origens.
Admito: busquei um porto seguro para atracar de vez meu destino.
Preciso fixar minhas raízes em terra firme, já explorada!
Vez por outra uma aventura medida. Comedida.
Rumos sempre conhecidos, se não por mim, por outros.
Amores... um somente! Daqueles que arrebata o espírito e encarcera o corpo.
Idas com voltas previstas, indiscutivelmente!
Afasto-me, mas não muito que é para não perder o contato.
Uma ilusão! Mas é minha ilusão sustentada! Ponto!
Ando tateando caminhos determinados
procurando um destino de saberes, de paz, de harmonia, de aconchegos, de saúde.
O talvez seja o meu melhor destino.
Percorro vias de rumo a respostas de questões que ainda nem bem ao certo formulei.
Eu quero apenas saber em qual destino minha vida vai encostar,
Qual destino minha vida vai seguir.
Eu comi, bebi, andei, corri, parei, deitei, dormi.
Continuei: sorri, chorei, jurei e sofri amores,
Rezei mantras, orações, entoei cantos
Dancei rodas.Conscientizei-me dos enganos; mas ainda pouco sei dos acertos.
Fui quase feliz, quase triste.
O destino visitou os corredores da minh’alma
Soube dos erros escritos na linha de minha vida
Agora tenho que, de novo, transformar.
Minha procura por si só não está finita.
Eu que não tenho certezas do que pedir;
Tenho, pelo menos, certezas do que agradecer
Dessa forma, deixo ao meu destino designações e significados múltiplos e também alheios...
para que se construam novos...destinos.
Seja onde for que se escrevam os destinos que guiam a alma humana.
Seja qual mão conduz os escritos que se registram a condição dos destinos
Meu destino está nessas mãos, que procuro conhecer.

DOS DIAS COTIDIANOS (2010).

Leves, suaves, intensos... o sol adentrando pela janela. abro passagem para lhe oferecer um espaço maior. sentada a beirada da porta permito que o calor invada meu corpo, aquecendo mesmo meus pensamentos mais íntimos. sustentar o olhar com o astro-rei é impossível diante a intensidade de sua majestade. fecho os olhos para sentir: o mais longe que me for permitido. o mais profundo que me penetrar. mais do que o nada e menos do que o tudo. antes de vir a ser e depois do que já foi. o principio de um começo previsto e o final de um termino indeterminado. muito melhor! o transcorrer de um amadurecimento! a realidade é assim, mais ou menos do que queremos. às vezes para mais, às vezes para menos e, às vezes, extremamente distinta do que nos preparamos. mas, nem nós mesmos somos os mesmos do que nós mesmos esperamos ser. entendeu?...nem eu! [rs]. contudo, todavia, por ventura tenho vontades cotidianas, ou não, que me arrebatam o espírito com mais perfeita lucidez: expressar por gestos, palavras e atitudes o que realmente quero dizer, o quanto quero dizer, antes que oportunidade me abandone. Identificar, compreender e refletir sobre os meus erros, fazendo-me capaz não de não repeti-los. dizer sempre a verdade quando necessário e com confiança, sem insultos. demonstrar sentimentos reais, sem camuflar a intensidade do que faz bem, ou do que dói. Saber escutar as respostas que não quero para as perguntas que não fiz! entusiastamente vejo a vida melhor. sinto a vida melhor. transformo minhas vontades... em ações! e, assim, espero mesmo viver serenamente, sentada na varanda vendo o sol nascer e se por, nascer e se por, nascer e se por. tomar café quentinho pela manhã. sucos ou água no decorrer do dia. chá ao entardecer. e quem sabe, um vinho ao anoitecer. afinar os ouvidos diferenciando a tonalidade do canto dos pássaros. e as músicas que hão de tocar. visualizar as situações cotidianas que me encantam com sua heterogeneidade: fatos, pessoas, objetos. cenas de um dia comum. e, se por ventura, alguém mais quiser acompanhar esse delírio, que seja bem-vindo!

15 de out. de 2010

MEUS DIAS.
(2010).

Meus dias acontecem pelas segundas, terças, quartas, quintas, sextas, sábados e domingos de uma semana, de um mês, de um ano. Acontecem quando me deito e permanecem se fazendo enquanto durmo. E num contínuo vão se realizando quando acordo. Às vezes, conduzo meus dias; às vezes meus dias me conduzem. Mas em todos os momentos, meus dias não param de acontecer. Em meus dias nascem sois; nascem luas; brilham estrelas sem fim; passam nuvens. Têm um colorido a mais porque agora é primavera. Têm chuvas noturnas diárias. Pela manhã, um frescor sem igual que gela o rosto num rápido sopro. Ao entardecer uma cor avermelhada do céu acompanha a retirada de mais um de meus dias. No transcorrer dos meus dias ora ajo com candura, ora viro do avesso. Não sou santa. Muito menos quero ser. Posso aperfeiçoar-me. Quem sabe até evoluir. Mas isso apenas ocorre no transcorrer de meus dias. Encontro gentes demais. De menos. Diferentes. Semelhantes. Nos meus dias ocupo espaços vagos; deixo espaços livres. Meus dias acontecem tecidos pelas horas que passam. Alongam-se. Encurtam-se. Fragmentam-se. Integram-se no costurar dos instantes que se sucedem. Ou apenas, decorrem. E assim vou existindo nos meus dias, com os meus dias e, quiçá, para além desses dias.

DISTÂNCIA (2010).

Procurei no dicionário,com paciência e atenção,o real significado da palavra distância.
Pareceu-me tarefa fácil,uma vez que a resposta estaria no folhear das páginas:
“Substantivo do gênero feminino. Espaço entre dois pontos. Pode ser medida em quilômetros, metros, centímetros e muitas outras unidades. Relação, estado ou fato de ser ou estar distante ou remoto no espaço. Lapso de tempo entre dois momentos. Afastamento, separação. Grande diferença”.

Deveras surpresa fiquei ao perceber que as definições ali registradas
em momento algum correspondiam a minha tradução pessoal desse vocábulo.
Dei início a minha tentativa de trazer palavras ao meu significado.
Digo distancia:
espécie de espaço preenchido pela ausência de quem está longe.
espécie de dor que dói quando me afasto de quem está perto para ficar além.
espécie de memória que promove imagens outrora vividas como que presentes.
espécie de saudade sentida de uma falta que o espaço guarda de maneira longínqua.
espécie de sentimento que quero suprimir com um simples estender de (a)braços.
espécie de uma aproximação(de algo ou alguém que está aqui) que leva a uma distância (de algo ou alguém que passa a estar lá).

São vais e vens que compõe minha história de distâncias.
Que me fazem querer permanecer e buscar o que ou quem perto-longe está.
Dessa maneira e por assim o estar resolvi...

Deixarei seu significado nas páginas dos dicionários quaisquer para quem os consultar.
Improvisarei um conceito mais leve e mais terno para o verbete distancia.
Doravante digo distancia:
aos carinhos dedicados com satisfação de um espaço preenchido.
aos encontros aguardados com o sempre encanto de uma primeira vez.
às memórias que provocam sorrisos de contentamento.
a saudade alimentada no acalento de restaurar presenças.
ao alento de sentimentos pelo momento da chegada acreditada.
ao espaço recheado pelas lembranças permanentes de gestos, de cenas, de emoções e, de fato,
da presença de pessoas memoráveis!

Eis porque fazer das distancias minhas amigas e companheiras, pois guardam o que para mim se faz sagrado.

DESSES MOMENTOS QUE O TEMPO NOS BRINDA.
(2010). Dedicado.
“Mas se eu sentir que nós
Estamos juntos
Longe ou a sós no mundo e além
Pode crer que tudo bem...”[Pra você eu digo sim. Rita lee]

Os minutos se prolongam na expectativa do encontro e as cenas acontecem “slow motion” numa conspiração para o derradeiro momento. Tudo parece sincronizado e regido pelos batimentos cardíacos da hora esperada... querida... planejada... ainda por acontecer. Cada pessoa, cada gesto, cada expressão, cada movimento, cada objeto, cada som sugere compor um detalhe essencial na contagem regressiva do encontro aguardado.

Vou deixar-te escutar meu coração.
Vou deixar-te ver minha alma.
Para que possas perceber:
a esperança adiada que se realiza uma a uma palavra, um a um gesto, uma a uma expressão;
a saudade guardada que se extingue a medida dos momentos compartilhados;
a ansiedade que se esgota a medida da aceitação do que me mostro ser.

Cruzam-se olhares em rostos conhecidos que, então, se reconhecem.
Agora, acompanhados pelas marcas que o passar dos tempos escreveu em cada face.
Entrelaçam-se braços em ternos, fortes, intensos abraços que perduram um instante de infinito. Murmuram-se palavras afetivas na tentativa de descrever o que passa ao coração, ao pensamento, ao corpo.

Viajei de encontro a tua presença para não mais te perder nesta vida.

Conheci tuas virtudes; desfrutei da tua essência; participei, por pequenos instantes, das tuas mais simples vontades; diverti-me com teu sorriso de menina travessa; reconheci virtudes de uma MULHER, de uma MÃE, de uma ESPOSA, de uma PROFISSIONAL; senti teus sentimentos; emocionei-me com tuas emoções; deliciei-me com teu modo de ser; aprendi dos teus conceitos; bebi do teu viver.

Vejo tua imagem com maior nitidez. Percebo-te mais próxima. Sinto-te mais intensamente.

Nos limites do tempo escreveram-se momentos desacreditados de outrora, por quês sem respostas, lamentações pressentidas, lágrimas vertidas, palavras proferidas em sentidos vãos que tornaram a distância uma realidade padecida.
Lembramos nossas vidas, revimos nossas escolhas, reafirmamos nossas decisões para mudarmos nossos destinos, de fato.
Transformamos, quebramos a escrita dessa história triturando as ausências estendidas com nossas presenças aproximadas, aconchegadas em colos e mimos recíprocos.
Fata viam inveniunt! ( o que há de ser tem muita força!)

18 de set. de 2010

MOMENTOS. (2010).

Inicio essa conversa acompanhada de uma taça de vinho tinto. Ao som de Mercedes, Milton, Madredeus. Uma mistura que beira a perfeição. Sábado nublado. Carros, pessoas e cachorros nas ruas; inclusive eu e o meu; passeamos estrada acima hoje. Na rede, daqui a pouco, com um bom livro para “devorar” a imaginação. Agora, descrevo o que me vem, ou o que percebo vir. Hoje tirei o dia para qualquer coisa. Para o que surgir. Para o nada, se assim o for. Tenho tanto o que fazer, mas farei o que o tempo me permitir. A música canta “Gracias a La Vida” e eu reverencio. Canta que “ninguém volta ao que já passou”; de fato, concordo. Meus sentidos estão alertas, sensibilizados, apurados. Qualquer sentido. Às vezes isso acontece, ficam “a flor da pele”. Quero expressá-los. Espalhá-los. Ah! Imagino uma maneira de eternizá-los. Gostaria de perpetuar este momento. Mas não o posso. Inconstância. Impermanência. Transformação. Eles se alternam, se renovam, mas não se repetem. Isso me encanta. Enobrece. Expressa a singularidade do meu vir a ser. Revela características de fragilidade, de sensibilidade que se ocultam no cotidiano prático e metódico. O que me assusta e me excita. Parte de mim quer compartilhar, parte quer preservar camuflado: desejos, vontades, sentimentos, memórias. Finalizo agora para acompanhar a taça ao meu lado...vazia, que se apresenta para ser preenchida com as próximas cenas de um dia que ainda não findou em seu acontecer.

QUANTO AO AMOR...(2010)

Eu não tenho definições ou filosofias para o Amor.
Se o escrevo, se o falo não é porque o saiba,
mas porque ele se realiza em mim mesmo que eu não perceba.
Não amo porque o seja fácil de fazê-lo.
Mas porque disso sou eterna e perpetuamente dependente.
É uma escolha; um ato, uma atitude descaradamente consciente.
Não procuro amar para existir.
Existo para amar porque isso me encoraja a viver; a seguir em frente.
Não dependo exclusivamente de alguém que me ame,
embora precise de alguém/alguéns que o faça.
Dependo, sim, de amar mais e mais alguém e alguéns.

Amo porque me é sagrado a relação com a vida, com o humano;
Embora nem sempre, ou quase sempre, não a declare.

Amo porque isso me encanta,
Mesmo quando as pessoas não o percebem o quanto amo,
Quando expresso e como amo.

Amo sem eira nem beira,
Em curvas e retas,
Em subidas e descidas,
Na chuva, no seco, na terra, no ar, no mar.
Amo com começos e alguns fins.
Embora não o saiba fazê-lo ainda sem condições e expectativas!

Amo porque me satisfaz viver (mesmo que nem sempre me seja agradável).

Quando amo procuro compreender, aproximar, viver, entregar, encontrar;
compartilho, incluo, escuto, silencio; choro, sorrio conjuntamente;
deixo estar e deixo partir (mesmo que doa).
Acredito e confio intensamente.
Tenho fé, indiscutivelmente.
Quando amo RESPEITO!

Quando amo tenho tempo...
Tempo de sobra!

18 de jul. de 2010

ENTRE OS MEUS MUITOS PRAZERES.
(2010).

Quando cozinho minha criação se cumpre no pensamento!
O que me conduz não é, necessariamente, a composição dos alimentos,
dos temperos ou a harmonia da bebida.
Mas o que tudo se realiza com algum passar de horas. Ou minutos!
Ocupo-me do degustar das satisfações alheias
que minutos dantes se viam a observar com o olhar voraz
o meu movimento de cá pra lá.
Afinavam os ouvidos atentamente ao tinir dos talheres e das panelas sobre o fogo
como uma sinfonia de ruídos combinados aos sabores que surgem.
Aguçavam o olfato à mistura dos cheiros.
Por fim quem se apraz sou eu.
Delicia-me o paladar sentimental aquele misto de contentamentos
pós consumo da refeição ofertada,
cujo tempero maior está no simples encanto de servir
.
CIDADES.
(2010).

Cidades
Nichos de humanos de culturas tantas.
Templo de expressões marcadas e marcantes.
Cantos sagrados de reclusão,
de misturas,
de convivências.
Luzes que pagam... acendem.
Águas que correm... escorrem abrindo caminhos.
Cascatas de telhados
Idas e vindas de vielas, de ruas, de estradas, de calçadas;
encontros de esquinas.
Que integram extremos de distâncias próximas ou longínquas.
Pontes Ruídos que expõem fábricas, lojas, carros, animais, vegetação, pessoas.
Jardins que embalam afetos, abraços, discussões e diversões. Testemunhas silenciosas de encontros e desencontros. De começos e fins.
Cheiros intensos que estimulam ou espantam a curiosidade.
Praças que guardam profundamente lembranças de travessuras perdidas,
mantendo-se presente às futuras.
Edifícios que sobem altos andares na esperança de alcançar o infinito do céu.
Túneis que penetram as entranhas íntimas da terra abrindo veias artificiais.
Entulhos, lixos, detritos de restos dispensados, ignorados e, às vezes, reinventados
pelas próprias mãos que o produziu e, em algum momento, o descartou.
Placas, cartazes, outdoors informam o instante do que foi o ontem, do que é o hoje
e do que será o amanhã.
Cidades,
que recebem a luz dos dias e os brilhos das noites;
os perigos constantes e os novas ameaças.
Cidades,
Espaços que nos aproximam e nos afastam no constante ir e vir das cidades.
COMPOSIÇÃO DE GENTES.
(2010).

Quando penso fico a rememorar.
O peito aperta e como pouco mais que de repente
surgem as poucas palavras, assim, quase sem notar...

Gente alegre,
Que carrega no rosto a espontaneidade do bom humor,
aliviando-me pesares e disseminando sorrisos contagiantes.

Gente amada,
Que me cura o Espírito com um simples olhar de compreensão
e que sara o corpo com o mesmo simples gesto de afago.

Gente amiga,
Meus refúgios tranqüilos para momentos complicados;
que me permite sentir e desejar que as horas
passem b e m d e v a g a r!

Gente ouvinte,
Além do ouvido, uma alma a escutar...
sentir, sofrer, alegrar-se conjuntamente.

Gente de Fé,
Vem cheia de esperança em quaisquer situações,
provoca-me compaixão por qualquer ser e avança
Com profusão na sabedoria das almas.

Gente comovente,
Sensibiliza por não precisar explicar,
apenas por estar.

Gente constante,
Indispensável figura para assegurar minha confiança
frente às necessidades e emergências da vida!

Gente consciente,
Que possibilita discernimento,
conduz à razão das questões existenciais,
tornando-me cada mais consciente da responsabilidade de existir.

Gente indecisa,
Que faz pensar sobre as indecisões,
sobre o ritmo das escolhas
e o peso das opções.

Gente definitiva,
Com sua presença inevitável do estado infinitamente permanente
dá-me objetividade a constante inconstância de ser.

Gente serena,
Que faz o aturdido parecer equilibrado
transformando meus devaneios com delicadas e meigas atitudes e palavras.

Gente triste,
Que vai minguando, sem saber bem o quê fazer,
o quê pensar e, por fim, mas não menos intenso, o quê sentir.
Machucada a alma se torna vulnerável e mesmo temerosa de existir.

Gente emocionante,
Que me traz tantas emoções distintas ao mesmo tempo,
cuja intensidade se revela sensivelmente no mais ingênuo dos gestos.

Gente envolvente,
Que me convida a celebrar a vida desde os seus primitivos instantes.

Gente estranha,
Que vem de tantos lugares e distintas direções
impacientando meus sentidos sobre o desconhecido.

Gente gostosa,
Que do inusitado acende sorrisos a todos os meus sentidos
incendiando a esfuziante alegria de ser humano.

Gente generosa,
Que me faz gostar de me surpreender
com atos de bondades alheias.

Gente infantil,
Que me faz brincar inocentemente com coisas sérias
E que me faz rir leve quando dos meus tropeços.

Gente introspectiva,
Que me faz refletir sobre a necessidade de nós mesmos
E me fortalecer diante de um mundo que intimida e assusta.

Gente inteira,
Que me ensina harmonicamente a ser parte interligada deste universo maior.

Gente inteligente,
Que me faz admitir as falhas sem vergonha,
que me faz sentir capaz de resolver problemas,
que me credita a possibilidade do erro sendo possível convertê-lo em acerto.

Gente irritante,
Que me desequilibra
fazendo buscar o melhor de mim para alcançar a quietude no coração.

Gente justa,
Suscita a sintonia suave do corpo, do espírito, da mente
Compondo o ritmo compassado e sereno entre a razão e a emoção.

Gente mentirosa,
dispara desvios no caminho
cujas conseqüências lastimáveis machucam até o Espírito
daquele que, mesmo longe, ainda atinge.

Gente misteriosa,
Traz o estranho desconhecer
de algo que nos parece, somente nos parece familiar.

Gente neurótica,
Por descompensar pelos extremos mais comuns a todas as pessoas
conduz-me a compaixão.

Gente solitária,
Que entra num divagar constante
tentando reinventar a própria companhia.

Gente tímida,
Que chega devagar, observando,
de soslaio submerge no íntimo de onde receia estar.

Gente otimista,
Chega na hora certa, no momento certo,
com a palavra certa e sorridente,
traz-me a sensação de um bem-estar pleno!

Gente acolhedora,
Muito além do ouvir
Oferece o aconchego de um sempre abraço afetivo,
um colo de momentos quaisquer.

Gente paciente,
Que sabe, mais que qualquer virtude, a paciência
compõe a verdadeira sabedoria do descobrir
o mais intenso de mim mesma.

Gente companheira,
Que bem de juntinho traz vontades de deleites mil:
Conversar, cantar, dançar, orar, meditar, escrever,
sorrir, chorar, comer, dormir, correr, andar, apaixonar, amar
acreditar, duvidar, reclamar, abraçar, silenciar...
Entregar-se a vontade de apenas estar em companhia!

Gentes reais dos caminhos que volta-meia me deixo encontrar!

21 de dez. de 2009

PRO ANO QUE COMEÇA.

Pro ano que começa (ou que continua como todos os demais anos passados e vindouros...) vão vontades minhas pro cê que ta aí...

de boas companhias; da melhor música; do melhor vinho; de uma cervejinha estupidamentes gelada; uma caipirinha, um samba e uma feijoada; uma tequila acompanhada de limão e sal. Uma feira de pasteis e caldo de cana; uma pizza de varias, muitas, diversas camadas; um carrinho de cachorro quente. Uma arvore bem alta; uma caminhada pela praia ou pela rua; um banho de cachoeira; uma viagem; uma chuva que se pegue, um sol que se veja nascer; a informalidade citadina das pessoas perambulando pelas ruas; o movimento rapido dos carros deslizantes pelas estradas; todas as segundas, terças, quartas, quintas e sextas-feiras, sábados e, é claro, domingos! Frascos de perfume, um filme memorável; uma carta, um cartão, uma foto inesperada; um dia após o outro; uma noite após o dia; andar de chinelo, sem chinelo; de roupa... Amores quaisquer, de quaisquer lugares novos ou renovados; um par de pernas andantes por aventuras divertidas e gostosas, por aprendizagens de vida. De sentimentos mais sinceros e verdadeiros; de momentos mais serenos e tranqüilos; de esperança mais ingênua; de convivência mais harmoniosa, com saúde; de abraços mais intensos; de aconchegos quentinhos e seguros. Um assalto de risos e beijos; um rio transbordante de vitorias. Um andar de mãos dadas; uma risada imensa; um olhar travesso; boas saudades; bons recomeços; boas semanas; doces lembranças; um boteco de bons amigos; uma construção de dialogo com palavras certeiras e carinhosas; uma fé edificada. Enfim, outros e mais tempos de felicidade. Um salve! um oxalá! um sarava! um namaste! um simples ola! Meu querer é seu bem-querer, sem medidas, que caiba do melhor em cada um. Mas se nada disso lhe aprazear...então meu desejo simplesmente é que suas vontades mais sinceras tornem-se sua realidade mais agradavel e satisfatoria.

AO TEMPO DE ONTEM, AGORA E DEPOIS.

Essa escrita fala disso. Aos que estão perto e aos que longe vão. Àqueles que compartilham do encontro, da ruptura, da amizade, do respeito, do amor, da paixão, da solidariedade, do desgaste, da mentira, da verdade, do absoluto, do relativo, do necessário, do desnecessário, do sonho, da realidade, da alegria, da travessia, do voo, da saudade, das lembranças, do profundo, do raso, do riso, do choro. enfim, aqueles que comungam com o tempo que estamos aqui!!

Meu tempo rascunha ranhuras
Conserta, desconserta, emenda.
Define senhas distintas para instantes unicos
Rabisca em momentos de sanidade loucas doçuras.
Ritualiza momentos como passagens.
Meu tempo rotineiro, metodológico
deixa-se desburocratizar por alguns minutos
Meu tempo rima com bons e maus...tempos
entre virtuosos sorrisos e lagrimas disparatadas
Requer. . ironia, bom humor, ceticismo, crença, fé!
Meu tempo é de hoje, para hoje, por hoje
sem contornos rígidos,
sem retornos lamentáveis.
Meu tempo gira,
rodopia num sortido album de imagens,
numa soma de pedaços
que remontam um mosaico de passagens.
Meu tempo vai longe, vai perto
para e começa... e recomeça.
Meu tempo compõe melodias
pinta quadros,
escreve, reescreve textos,
significa e re significa palavras, conceitos, valores, sentimentos
arrebata, preenche o tempo de outro.s
Meu tempo apresenta flashes de lembranças.

Meu tempo é rascunho do quero fazer dele.

RESERVAS D'ALMA.

Quando os pensamentos divagam, aceleram, se repetem sem descanso
O ritmo do silencio... é reserva d’alma!
Quando braços e mãos se agitam em movimentos desenfreados
A mão que segura firme... é reserva d’alma!
Quando se perdem os passos sem escolhas de rumos
As mãos que guiam... são reservas d’alma!
Quando amortecem os sentidos, indiferenciam-se as emoções
O colo terno e aconchegante... é reserva d’alma!
Quando aperta o peito, dói o coração e choram os olhos
O abraço que envolve... é reserva d’alma!
Quando angustias e tristezas sufocam a voz, limitando a expressão
O olhar atento que aguarda tranquilo... é reserva d’alma!
Quando a dor tolhe o espírito
Elevar o pensamento na fé... é reserva d’alma!
Quando a saudade toma conta
A lembrança de momentos felizes... é reserva d’alma!
Quando historias de pessoas se encontram sem porquês
Marcadas pela intensidade dos sentimentos... é reserva d’alma!
Quando palavras são proferidas, gestos expressos
Na intenção de um bem-querer sem exigências... é reserva d’alma!
Quando explicações, respostas e perguntas são desnecessarias... é reserva d’alma!
Quando a felicidade se apresenta surpreendente... é reserva d’alma!
Quando o amor se manifesta na descoberta do outro... é reserva d’alma!
Quando os pés andam passos estaveis, as mãos se unem num elo de força e os olhos contemplam a luz
Então... é reserva d’alma!
Quando respirar sentindo o ar entrar pelos pulmões, resultando numa louca vontade de sorrir...
é reserva d’alma!
Quando sua mente se abrir para perceber o mundo,
Olhar de frente sem temores... é reserva d’alma!
Quando perceberes existirá um pomar frutífero de experiências amadurecidas ao ponto de sabedoria...terás, então, algo de maior em sua vida sempre que precisares: são os frutos do que plantastes... RESERVAS D’ALMA!